domingo, 15 de fevereiro de 2009

DISFUNÇÃO SEXUAL É UM PROBLEMA FREQUENTE NA MENOPAUSA


A sociedade ocidental tem-se tornado progressivamente mais liberal em relação às questões ligadas à sexualidade humana. Cada vez de maneira mais precoce, homens e mulheres apresentam questões ligadas à sua vida sexual. Da mesma forma, a expectativa de vida da população tem aumentado nas últimas décadas, na maioria dos países, e a preocupação das pessoas tem-se voltado para a sua qualidade de vida, e, entre seus indicadores, a atividade sexual satisfatória tem sido um dos mais citados (Mendlowicz e Stein, 2000).Promover a saudável vida sexual contra todos os preconceitos culturais e religiosos vigentes passou a ser um tema constante na área da saúde, levando em todo o mundo à necessidade de aumento dos temas ligados à sexualidade no currículo médico (Wagner, 2005).Estudos realizados em diferentes países apontam para o fato de que as disfunções sexuais (DS) são bastante prevalentes na população geral. Pelo menos um terço dos homens e das mulheres de uma comunidade apresenta queixas sexuais de gravidade suficiente para necessitar de cuidados clínicos (Laumann et al., 1994; 1999).Diferentes fatores interferem negativamente na atividade sexual humana, como transtornos psiquiátricos(incluindo tabagismo), doenças médicas gerais (particularmente diabetes, deslipidemias, hipertensão, doenças cardiovasculares) e neurológicas, medicações, conflitos interpessoais, crenças culturais e combinações desses diferentes fatores (Zorzon et al., 1999; Kennedy et al., 2000; Bergmark et al., 1999; Enzlin et al., 2002).No entanto, quando se trata da relação com transtornos psiquiátricos, a avaliação da vida sexual era, até há pouco tempo, freqüentemente negligenciada. Um dos principais aspectos dessa relação com a expansão dos tratamentos farmacológicos é a interferência dos psicofármacos na esfera sexual e reprodutiva, incluindo o ciclo menstrual, a gravidez e a amamentação.Com o maior conhecimento das principais síndromes psiquiátricas e em função da difusão pela imprensa leiga de dados sobre psicofarmácos, pacientes questionam sobre efeitos colaterais dessas drogas, opinam sobre suas preferências e revelam seus temores, particularmente sobre gravidez, amamentação, ganho de peso e disfunções sexuais durante o uso dessas medicações (Brixen-Rassmussen et al., 1982; Wisner et al., 1993).

Disfunção sexual é um problema freqüente na menopausa. Dor durante as relações é uma das queixas mais freqüentes em mulheres que entram na menopausa. Entretanto, muitas mulheres encaram essa situação como um processo natural do envelhecimento. Ao contrário, outras mulheres na pós-menopausa descobriram que não precisam experimentar os problemas sexuais desse período em silêncio, e muitas estão procurando ajuda antes desses problemas se tornarem crônicos.
Não raro, “por trás da dor” existe uma outra disfunção sexual, que cabe ao médico averiguar e que na maioria das vezes é a baixa do desejo sexual e da excitação sexual.
Essa situação resulta da queda dos estrógenos, que ocorre na menopausa, além de queda dos hormônios progestagênicos e androgênios. Com a correção da disfunção sexual surge o aparecimento da resposta sexual que corresponde a um “aumento do desejo, da excitação e das fantasias”.
É difícil tratar o corpo sem se preocupar com a mente. Os distúrbios sexuais podem ter origem física e psíquica - como, por exemplo, na associação de depressão e dor causada pela atrofia do tecido de revestimento da vagina.
Os distúrbios sexuais mais comumente diagnosticados entre as mulheres incluem:
· Desejo sexual hipoativo - diminuição da libido
· Distúrbio da excitação sexual feminina - ausência de resposta adequada ao estímulo sexual, afetando a lubrificação vaginal e o fluxo sangüíneo para a região genital
· Distúrbio do orgasmo feminino - o orgasmo não é atingido plenamente ou é atingido com dificuldade
· Dispareunia - dor durante a relação sexual, geralmente causada pela vaginite atrófica
Para o tratamento da disfunção sexual, daremos preferência a um antidepressivo que não interfira na função sexual, como é o caso da bupropiona. Em muitos casos, a associação de terapia sexual e outras modalidades terapêuticas é bastante eficaz.
Uma pesquisa do "National Health and Social Life Survey" indica que a disfunção sexual feminina é superior à masculina. Em mulheres entre 18 e 59 anos, 32% revelaram não se interessar mais por sexo e 22% não acham o sexo uma fonte de prazer.
É então que aparecem as crises de meia-idade, em que a quebra da auto-estima deixa uma nuvem negra sobre a cabeça de homens e mulheres.Quais são as causas das disfunções sexuais?Várias são as causas que para uma maior compreensão didática e são dividas em vários grupos. Condições médicas em geral podem ser causas diretas ou indiretas desses distúrbios. Doenças vasculares associadas com diabetes pode levar a uma diminuição da excitação sexual; doenças do coração e pulmões podem dificultar a atividade sexual devido à falta de ar que essas pode causar; incontinência urinária pode levar a desconforto e vergonha diminuindo a atividade sexual. Tratamentos adequados das doenças crônicas podem levar a uma melhora clínica facilitando a atividade sexual.O uso de drogas, sejam elas ilícitas, devido à auto-medicação ou necessárias para tratamento de alguma condição médica (antidepressivos, ansiolíticos, lítio, digoxina, alguns anti-hipertensivos, contraceptivos orais, anti-alérgicos, etc), cigarro, álcool também são responsáveis por distúrbios sexuais.Problemas ginecológicos contribuem fisicamente para dificuldades sexuais: cistite, câncer de mama (diminui a simbolização sexual feminina) e outras malignidades. As mudanças ginecológicas durante a vida de uma mulher podem mudar sua sexualidade: puberdade, gravidez, período pós-parto e climatério.Na puberdade, podem haver problemas quanto à identidade sexual, imaturidade psíquica e orgânica que gera incertezas e inseguranças. A gestação e período pós-parto estão geralmente associados com uma diminuição do desejo sexual que pode se prolongar na lactação. O estado de hipoestrogenismo (diminuição de estrógeno - um hormônio feminimo muito importante na regulação do ciclo menstrual dentre várias outras coisas) desencadeado pela menopausa pode levar a alterações no humor, ressecamento da vagina o que pode trazer além de uma diminuição do desejo sexual, alguma dor com relação ao ato em si (dispareunia).
Uma pesquisa sobre sexo nos EUA, denominada "National Health and Social Life Survey" e que foi publicada pelo jornal médico JAMA 1999, revelou que 43% das mulheres adultas norte-americanas relata um ou mais problemas sexuais, pelo menos uma vez na vida. Segundo a pesquisa, 80% das mulheres com menos de 55 anos, casadas ou vivendo em concubinato, declararam que relações sexuais têm muita importância para sua qualidade de vida. Porém, os restantes 20% consideram que sexo não tem muita importância ou importância alguma.
Á pergunta sobre a importância das relações sexuais na qualidade de vida, as mulheres pesquisadas responderam "sim", nas seguintes proporções:
Mulheres na faixa de 45 a 59 anos: sim, para quase 80% delas;
Mulheres na faixa de 60 a 74 anos: sim, para mais de 50% delas;
Mulheres com mais de 75 anos: sim, para mais de 40% delas.

A vida sexual continua sendo um aspecto importante da qualidade de vida em geral, mesmo para mulheres com idades mais avançadas.

"Se considerarmos que, nas próximas duas décadas, quase 40 milhões de mulheres norte-americanas irão passar pela menopausa e que os estereótipos relacionados a mulheres de meia idade estão mudando, é muito importante que os médicos especialistas se preocupem em ajudar as mulheres nessa área da saúde", afirma o médico.
Segundo ele, as principais queixas das mulheres na fase pós-menopausa se referem à perda do apetite sexual, à menor resposta a estímulos sexuais, à falta de lubrificação vaginal, a dores durante o intercurso sexual, à diminuição da freqüência das relações sexuais e a parceiro com disfunção sexual.
"Outro aspecto relevante dessa fase é que as mulheres com maior interesse em relações sexuais antes da menopausa são as que experimentam maior ansiedade, em função das mudanças que ocorrem na saúde sexual delas", diz Michael Born.
Ele explica que alguns dos fatores que afetam as atividades sexuais na menopausa são o processo de envelhecimento, o desempenho sexual antes da menopausa, distúrbios psiquiátricos, problemas psicológicos, elementos culturais, disponibilidade de parceiro, dificuldades de relacionamento
"Num grupo de 308 pessoas, apenas 14% informou o médico espontaneamente sobre seu problema de disfunção sexual. E 55% só confirmou o problema diante de uma pergunta específica do médico. Isso mostra que as mulheres tendem a não falar espontaneamente com o médico sobre disfunção sexual", conclui o ginecologista.
Disfunções sexuais são altamente prevalentes em mulheres e relacionadas, entre outros fatores, a estados afetivos, aspectos socioculturais, situações interpessoais e psicofármacos.

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